porquê chamar-te rosa se é tão pouco
lado a lado com tão frágil ser te pôr
porque de ti, mais do que a cor, emana o fogo
a chama que se acende e é de novo
dia a dia, hora a hora, o meu amor
porquê chamar-te flor, se és mais que fruto
de doce e de maduro desejado
porque de ti amor, quero eu tudo
do corpo e da alma que seduzo
que seduzo, e me seduz, e sou amado
como tentar regar-te se és selvagem
se cresces só nas terras mais bravias
sussurro-te amor entre a aragem
persigo-te na mais longa viagem
que é contigo, ser selvagem, dia a dia
e como poderei um dia amar-te
e fazer que me ames como igual
se mesmo que altivez tente mostrar-te
do fundo do meu peito, a adorar-te
sou eu que faço de amor teu pedestal
como chamar-te flor – se és mais que fruto
um cheiro feito gosto, feito gesto
como chamar-te rosa – se é absurdo
és mais que qualquer rosa, és mais que tudo
floresta tropical dos meus afectos
Julião
D., 2/6/2003